Rev. Josafá Vasconcelos                                            

“Por esta a causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda estam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei.” Tito 1:5

Seguindo a decisão do Conselho no encaminhamento de eleição de presbíteros, iniciaremos uma série de estudos sobre essa matéria, no sentido de instruir a nossa Igreja em como escolher bem, segundo a vontade de Deus, aqueles que irão preencher as vagas deste tão importante ofício. Faremos uma simples exposição dos textos diretamente ligados ao assunto, como este que encabeça essa pastoral. 

A primeira observação é com relação à “ordem” que é exigido, mais precisamente “pôr em boa ordem…”. Deus não gosta de desordem, Ele não é Deus de confusão; por esta razão, deixou um governo ordeiro para o bem de sua Igreja. Ordenou que houvesse presbíteros para governá-la e não permitir que as coisas acontecessem desordenadamente. 

A segunda, diz respeito à pluralidade de presbíteros. Ele diz: “constituísses, ou ordenasses, presbíteros em cada cidade…” por aí, vemos que não se trata de um bispo, como hoje algumas igrejas episcopais entendem, para supervisionar várias igrejas, ou que Paulo está falando de pastores apenas, antes o apóstolo está falando da necessidade de que em cada igreja, de cada cidade, tenha vários presbíteros; o termo, no original, está no plural e para confirmar esta interpretação, temos o mesmo acontecendo em Filipos:

“Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos” (Fil 1:1) 

Ora, Filipos era uma pequena cidade, se bispo é o que essas igrejas episcopais entendem, como poderia haver vários só naquele pequeno lugar? Obviamente, bispo é o mesmo que presbítero e é preciso haver mais de um em cada igreja. 

O mesmo acontece, em Atos 20:17, quando Paulo manda chamar “os presbíteros da igreja” de Éfeso. Este é o princípio conciliar que vem desde o Velho Testamento, quando Deus ordenou a Moisés, escolher os “anciãos” para dirigir sua igreja no deserto. Havia Moisés o presbítero, ou ancião docente, isto é, aquele que ensinava ou profetizava e os demais, que embora também ensinavam ou profetizavam, prioritariamente julgavam ou regiam. Aqui percebemos que o mesmo processo é ordenado à igreja neo-testamentária, temos os presbíteros docentes, ou pastores ou bispos, e os presbíteros regentes que governam. A terceira coisa a considerar, é que estes presbíteros não eram “apontados” ou “indicados” por uma pessoa somente, no caso Tito, mas antes este recebeu autoridade da parte do apóstolo para presidir, ou moderar a eleição e “ordenar”, isto é, impor as mãos sobre aqueles que a Igreja escolher pelo voto comum. “A palavra no original para “indicar”, é a mesma usada em Atos 6:3, na escolha dos diáconos e tem relação com o que acontece em Atos 14:23 quando diz:

“E, promovendo-lhes, em cada igreja, eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido”

A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil outorga ao Conselho a prerrogativa de encaminhar o processo de eleições para oficiais acompanhado da devida instrução da igreja e plena liberdade de indicar nomes e eleger aqueles que forem aprovados por esse mesmo Conselho. Por agora, estamos no estágio de receber as instruções e orar.