O espiritismo é fruto do desejo de continuar em contato com alguns entes queridos que já morreram, bem como de assegurar que a salvação eterna será adquirida pelas boas-obras. Dessa forma o espiritismo se utiliza da mediunidade, da necromancia (consulta aos mortos), da crença da salvação pelos méritos, e da crença na reencarnação.

As origens do espiritismo podem ser encontradas nas religiões animistas, antropocêntricas e gnósticas. Aliás, muito do espiritismo presente apresenta a estrutura das filosoficas nósticas rejeitadas pela igreja cristã por volta do Séc. IV.

O espiritismo se divide, basicamente, em duas linhas: branca e preta. A linha preta está associada à Umbanda, Quimbanda, Macumba, Candomblé, Vudu, etc. Para alguns espíritas, essa linha é considerada baixa, ou popular, diferindo-a da linha cientifica. A linha branca, ou a abordagem mais científica, tornou-se popular através do caso das irmãs Fox, nos Estados Unidos (uma de 11 e outra de 9 anos) que reivindicaram manterem comunicação com o espírito de um ex-morador da casa em que habitavam (Charles Rosma). Depois, o espiritismo foi muito difundido na Europa, especialmente através do francês Léon Hippolyte Dénizard Rivail, que se tornou famoso através do seu pseudônimo “Allan Kardec”, pois se dizia ser a própria reencarnação do poeta celta. Ele escreveu várias obras, dentre elas: O livro dos espíritos, O evangelho segundo o espiritismo, O livro dos médiuns, etc.

A missão de Allan Kardec foi a de dar uma conotação mais científica e intelectualmente aceitável ao espiritismo e hoje muitas instituições são fundadas sobre bases espíritas. Não é de se estranhar que muitos filmes com histórias espíritas tenham se tornado tão populares e o horóscopo continua ocupando uma página de quase todo jornal ao redor do mundo.

Não há, no espiritismo a mensagem da graça, do favor divino. Nesse sentido, a cruz de Jesus foi apenas um ato histórico de um homem bom, de um espírito de luz (o mais evoluído que já passou por aqui).

O que a Bíblia diz sobre as práticas espíritas?

Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o termo “espiritismo” não aparece na Bíblia. As escrituras, porém, condenam algumas práticas do mesmo sob os seguintes termos: feitiçaria, consulta aos mortos, adivinhação, etc. Essas práticas eram comuns entre as nações pagãs (Cf. Dt 18.14, Is 19.3 e Dn 2.2, etc.), mas Deus exortou Israel e não copiar esses costumes pagãos. Algumas passagens bíblicas nesse sentido podem ser encontradas:

Levitico 19.31 – “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus”;

Levitico 20.6-7 – “Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e o eliminarei do meio do seu povo. Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus.” (compara-se à prostituição);

Levitico 20.27 – “O homem ou mulher que sejam necromantes ou sejam feiticeiros serão mortos; serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles”;

Deuterônimo 18.9-13 – “Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus.”

Isaías 8.19-20 – “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”;

Ezequiel 13.18-20 – “. . . e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Ai das que cosem invólucros feiticeiros para todas as articulações das mãos e fazem véus para cabeças de todo tamanho, para caçarem almas! Querereis matar as almas do meu povo e preservar outras para vós mesmas? Vós me profanastes entre o meu povo, por punhados de cevada e por pedaços de pão, para matardes as almas que não haviam de morrer e para preservardes com vida as almas que não haviam de viver, mentindo, assim, ao meu povo, que escuta mentiras. Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis aí vou eu contra vossos invólucros feiticeiros, com que vós caçais as almas como aves, e as arrancarei de vossas mãos; soltarei livres como aves as almas que prendestes (são mentiras que matam as almas);

Mateus 7.22-23 – “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Milagres não autenticam a fidelidade ou a comunhão de alguém com Cristo);

Apocalípse 22.15 – “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (não entrarão no Reino de Deus).

O texto de Deuteronômio ensina que ao invés de ouvir aos feiticeiros, os israelitas deveriam ouvir o Profeta que viria do Senhor. Nas palavras do texto sagrado: “Porque estas nações que hás de possuir ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o SENHOR, teu Deus, não permitiu tal coisa. O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18.14-15). Em outras palavras, onde se dá ouvidos aos ensinos espíritas, não se ouve a voz de Jesus e quem está atento à voz de Jesus não dará ouvidos às mentiras espíritas.

Observações Textuais: 1Samuel 28

 O relato de 7-25 parece ter sido feito por uma testemunha ocular. Talvez um dos servos de Saul.

Cf 1Sm 21.7 – Alguns dos servos de Saul eram estrangeiros (como Doegue, o edomita);

1Sm 28.7 – Os servos a quem Saul se dirige são supersticiosos e conhecem a médium de En-Dor. Talvez eles estivessem acostumados à práticas de feitiçaria.

1Sm 28.8 – Dois homens foram com Saul para consultar a médium.

 v8 diz que Saul se disfarçou, mas sendo ele uma pessoa tão alta, seria difícil disfarçar-se apropriadamente.

cf. 1Sm 10.23 – “Correram e o tomaram dali. Estando ele no meio do povo, era o mais alto e sobressaía de todo o povo do ombro para cima”.

 Quando em vida, o profeta Samuel havia expressado a opinião de que a prática da feitiçaria era um pecado horrendo.

Conforme 1Sm 15.23:

“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”.

 Quem disse que viu a Samuel não foi Saul, mas a médium, o que poderia ser uma afirmação falsa. O espanto da mulher poderia ser pelo fato de que ela reconheceu estar diante de Saul. Saul apenas “entendeu” tratar-se de Samuel com base na descrição apresentada pela mulher (vs 14).

 O que o pseudo-Samuel diz a Saul era comumente conhecido em todo o Israel, v 16-18.

Argumentos:

1. Argumento gramatical → O v 6 diz, “o Senhor . . . não lhe respondeu.”

No hebraico o sentido é mais intenso. Significa: O Senhor não lhe respondeu, não lhe responde e não lhe responderá nunca. Veja os versos 15-17. 

2. Argumento Exegético

  • Nem por Urim → revelação sacerdotal (cf. 14.18)
  • Nem por sonhos → revelação pessoal
  • Nem por profetas → revelação inspirada da parte de Deus. Fosse o verdadeiro Samuel que tivesse falado, ele seria o veículo transmissor do próprio Deus respondendo.

A visão que a mulher teve foi essencialmente subjetiva → v 14 – “Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra”.

3. Argumentos ontológico → Deus se identifica como o Deus de vivos, mesmo quando estes estavam mortos (Abraão, Isaque e Jacó)

Nenhum desses foi contra a vontade do Senhor. Por que Samuel o faria?

4. Argumento lógico → Samuel nunca desobedeceu o Senhor em sua vida (12.3-4) e também não iria contra o Senhor, entregando uma revelação que ele não queria dar a Saul.

5. Argumento doutrinário → A fim de aceitar as profecias do pseudo- Samuel, as mesmas deveriam ser precisas, como as outras profecias nas Escrituras. Essas profecias do pseudo-Samuel são ambíguas e imprecisas:

  • Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (28.19); ele suicidou-se e veio a parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade (31.11-13).
  • Nem todos os filhos de Saul morreram, v 19. Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul: Is-Bosete (2Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete, o qual seria neto de Saul (2Sm 21.8).
  • Saul não morreu no dia seguinte como é sugerido pela pseudoprofecia, 19. Se observarmos o contexto veremos que Saul morreu bem depois, 30.1, 10, 13, 17 e 2Sm 1.3.
  • Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel, v 19. Ou Samuel estaria no inferno, ou Saul iria para o céu (ver 1Cr 10.13).
  • A Bíblia é clara em dizer que a morte de Saul foi devida à sua transgressão por ter consultado uma médium em En-Dor.

Conforme 1Crônicas 10.13-14:

“Assim, morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o SENHOR, por causa da palavra do SENHOR, que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante e não ao SENHOR, que, por isso, o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé”.

Soli Deo Gloria