Do Conselho da Igreja Presbiteriana da Herança Reformada

Ao Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil

Quanto à resolução da CE/SC, consulta do Presbitério Sul Paulistano sobre práticas Néo-Puritanas, como se lê,

CE-SC/IPB – 2008 – Doc. CXCIII – Quanto ao documento 202 – Proveniente do Presbitério Sul Paulistano – Sínodo de Piratininga – Ementa: Consulta do Presbitério Sul Paulistano Sobre Práticas Neo-Puritanas.

Considerando:

1. Que as práticas elencadas pelo PSPA tais como: cântico exclusivo de salmos, proibição de mulheres cristãs de orarem nos cultos da Igreja, proibição de instrumentos musicais e de corais nos cultos não encontram amparo nos símbolos de fé da Igreja e nem nos Princípios de Liturgia que regem o culto na Igreja Presbiteriana do Brasil; 2. Que a Igreja Presbiteriana do Brasil é historicamente uma Igreja litúrgica, e que tem primado por um culto solene, embasado nas Sagradas Escrituras conforme interpretado pelos seus símbolos de fé;


A CE-SC/IPB-2008 RESOLVE:

1. Lamentar que as restrições esposadas por aqueles que defendem tais práticas estejam trazendo confusão no seio do povo presbiteriano;

2. Determinar aos pastores que observem os Princípios de Liturgia da Igreja Presbiteriana do Brasil como parâmetro litúrgico para os cultos em suas igrejas, bem como os fundamentos teológicos do culto esposados pela Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos Maior e Breve como norteadores para uma sadia teologia do culto;

3. Determinar aos concílios da Igreja Presbiteriana do Brasil que velem pela execução da liturgia reformada, conforme expressa nos Símbolos de Fé e Princípios de Liturgia adotados pela IPB, repelindo todas as práticas estranhas a eles, quer sejam elas Neo-Puritanas de restrição de genuínos atos litúrgicos, quer sejam de acréscimos de práticas antropocêntricas Neo-pentecostais.

O Conselho, resolve:

  1. Considerando a infeliz alcunha de “Neo-puritanismo”, dada com o propósito de caracterizar os presbiterianos que estão buscando purificar o culto observando estritamente o que prescreve a Sagrada Escritura e os nossos Símbolos de Fé, escritos pelos Puritanos, como se fosse prática herética um presbiteriano desejar andar nas pisadas de seus pais, e além do mais, considerando que quem assim o faz demonstra desconhecer a história da nossa própria igreja que por honrar e reverenciar os mentores da nossa fé,  deu o nome ao seu jornal oficial de “O Puritano”, e agora se coloca no mesmo lugar dos algozes que perseguiram nossos benditos pais de outrora.
  2. Considerando que a Comissão Executiva do S/C, não citou nenhum dos capítulos e sessões da nossa Confissão de Fé ou alguma pergunta dos catecismos para embasar sua afirmação quando diz que não há amparo nos nossos Símbolos de Fé para a prática de cantar salmos e não ter coral ou qualquer outro tipo de cântico representativo (sacerdotal), mas somente o cântico congregacional, (certamente não o fizeram porque, ao contrário, são eles que nos ensinaram essas práticas, quer expressamente como no caso dos Salmos, apresentado no Capítulo XXI do Culto Religioso e do Domingo, sessão V, onde são nomeados os elementos do culto, quando diz: “o cântico dos salmos com gratidão no coração” deixando claro ser este a exclusiva manifestação de louvor ordenado nas Escrituras), como também com seu silêncio quanto à oração em público das mulheres no culto, (aqui também a Comissão não apresentou sequer um texto).
  3. Considerando que os amados irmãos da CE, não perceberam que as práticas de Culto dos chamados “Néo-Puritanos”, estão exatamente de acordo com o que preceituam os Princípios de Liturgia no capítulo III “Culto Público”, somente que no art. 8, no lugar de “cânticos sagrados”, escolhemos a Confissão de Fé que diz: “cântico dos salmos com gratidão no coração”. E que teria sido melhor que nossa amada Igreja repensasse e modificasse os Princípios de Liturgia, nesse ponto, para se adequar à Confissão de Fé, nossa lei maior, ou melhor ainda, adotasse, por coerência, o “Diretório do Culto”, padrão presbiteriano, confeccionado na mesma Assembléia de Westminster que elaborou nossos Símbolos de Fé?
  4. Considerando que deveriam “tolerar” os presbiterianos que desejam observar o que ensinam, claramente as Escrituras, sobre a participação das mulheres cristãs no culto quanto à oração em público ou qualquer outra participação que demande o exercício de autoridade, (porque é um exercício de autoridade representar a Igreja toda, pastor, presbíteros e seus maridos num ato litúrgico, à presença de Deus). Além de textos tão contundentes como:  1Cor. 11:13 ; 14:34-35; 1Tm 2: 8 e de 9-15, mesmo porque, não proibimos as nossas mulheres de orar na Igreja, elas o fazem nas suas próprias reuniões de oração, de departamento, além de ministrar às mais jovens, crianças e adolescentes,  Tt 2:3. Será que são adeptos do argumento cultural? Não teria Paulo tratado do assunto em termos teológicos e espirituais?
  5. Considerando que, como presbiterianos, que amamos tanto a Igreja Presbiteriana do Brasil e prezamos as decisões conciliares, tendo-nos sujeitado até aqui, obedientemente, às recomendações sensatas e bíblicas do nosso concílio superior, pois: “…Os seus decretos e decisões, sendo consoantes com a Palavra de Deus, devem ser  recebidos com reverência e submissão,  não só pelo seu acordo com a Palavra, mas também pela autoridade pela qual são feitos, visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus, designada para isso em sua Palavra” e “ Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática…” (Cap. “Dos Sínodos e Concílios, sessões II e III) tenhamos agora de nos valer, do recurso da Constituição da nossa Igreja quando diz: “ A autoridade dos Concílios é espiritual, declarativa e judiciária, sendo-lhes vedado infringir castigos ou penas temporárias e FORMULAR RESOLUÇÕES QUE, CONTRÁRIOS À PALAVRA DE DEUS, OBRIGUEM A CONSCIÊNCIA DOS CRENTES” (At. 69/CI) e recomenda aos membros das igrejas: “obedecer as autoridades da Igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras” (Art. 14, letra d) e que:
    “São nulas de pleno direito quaisquer disposições que, no todo ou em parte, implícita ou expressamente, contrariem ou firam a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil” (Art. 145/CI)
  6. Considerando os termos da resolução da CE/SC: “ Lamentar que as restrições esposadas por aqueles que defendem tais práticas estejam trazendo confusão no seio do povo presbiteriano;…”
    E que a acusação trazer “confusão” na Igreja de Cristo é algo muito grave, mas também pode ser considerada uma realidade positiva, como a Reforma do século XVI que trouxe não só confusão, mas constrangimentos, embates e até muitas dúvidas. E que o problema não é a “confusão” e sim a causa pela qual ela surge. Pois não negamos que irmãos menos sábios e prudentes, lutando por razões estranhas à Palavra de Deus, perturbem o sossego da Igreja. Porém, condenável é a confusão causada por igrejas onde a didascalia, a prática conciliar, o evangelismo e a adoração fogem completamente dos princípios confessionais. Essas são igrejas sem rumo e sem unidade, onde “cada um faz o que parece reto aos seus próprios olhos”. E que essa confusão sim, teria uma causa  confusão doutrinária e por uma prática absolutamente distanciada dos padrões de fé presbiterianos.
  7. Considerando que a resolução desconhece o que está acontecendo na igreja como fruto exatamente da redescoberta da leitura, estudo e avaliação do grande legado dos puritanos ingleses e escoceses — Os Padrões de Westminster. E que nunca se estudou tanto nas igreja, nos grupos de estudo, grêmios estudantis, nas variadas e numerosas Conferências e Seminários Presbiterianos, a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster, como se vê nos dias de hoje. Que a iniciativa de estudar nos Seminários e Igrejas, os padrões confessionais puritanos foi uma brilhante iniciativa e um resgate da prática Reformada. Mas, que isso tem consequências, pois tira o povo da ignorância doutrinária e os leva a tomar atitudes. Os faz amar cada vez mais a Igreja de Cristo e ver um rumo de como interpretar a Palavra de Deus e se saber qual Sua vontade.
  8. Considerando que não se identificou a relação desta suposta “confusão” com o fato de que nunca na história da Igreja Presbiteriana do Brasil se viu tamanha amplitude e profundidade com que se tem debatido pontos doutrinários reformados tão relevantes como nos dias de hoje e como fruto se iniciou um despertamento pelo presbiterianismo saudável esposado pelos antigos “pastores e mestres” que de fato foram nossos guias, os quais no passado pregaram a Palavra de Deus e viveram uma vida experimental e fiel e que nos convoca a atentar para o fim de suas vidas e imitar a fé que tiveram.
  9. Considerando que a venda que cobre muitos olhos para que não vejam que é exatamente na luta pelo conhecimento e resgate da verdade que esta “confusão” acontece.  Que é exatamente por se considerar a Confissão de Fé e os Catecismos da Igreja como o guia hermenêutico, interpretativo da Igreja, que jovens pastores e presbíteros afirmam diante de Deus e dos homens que estes símbolos de fé são a “fiel exposição do sistema de doutrina, ensinado nas Escrituras”.
  10. Considerando que não deram importância  aos muitos jovens de hoje, que amam a fé reformada de forma nunca vista antes e que prometem “manter zelosa e fielmente as verdades do Evangelho, a pureza e a paz da Igreja, seja qual for a PERSEGUIÇÃO E OPOSIÇÃO que contra eles se levante por este motivo”, mas que também procuram “adornar a profissão do Evangelho”, tudo por concordarem com o princípio regulador do culto solene e público conforme explicitado na Confissão de Fé de Westminster e não pelo caminho da reinterpretação que é segundo o curso desta época e contrário à toda prática e tradição dos “divinos” de Westminster, frontalmente desprezando toda a evidência histórica de um povo que piedosamente moldava sua vida sobre uma confessionalidade estrita e zelosa.
  11. Considerando que a resolução determina que se vele pela execução de uma liturgia reformada, conforme expressa nos Símbolos de Fé e Princípios de Liturgia adotados pela IPB, mas se repudia todas as restrições ligadas à Palavra de Deus quanto à adoração, tão bem explicitados na própria Confissão de Fé de Westminster e nos ensinos dos reformados que ficaram famosos pela posição de que os elementos de culto devem ser realmente restritos ao que a Palavra expressamente declara ou pode ser lógica e claramente deduzido dela.
  12. Considerando que a resolução repele no culto os acréscimos das práticas antropocêntricas Neo-pentecostais, mas não faz qualquer censura quando a prática litúrgica de muitas igrejas presbiterianas está repleta de acréscimos nunca vistos entre os reformados do passado e que maculam a tradição reformada e mais seriamente as Escrituras, tornando-se tão graves como o citado idólatra e místico culto Neo-Pentecostal. Uzá, aparentemente não fez nada tão “grave” para ser morto por Deus por sua atitude tão “zelosa”, mas Deus o feriu de morte.
  13. Considerando, que foram citados os Neo-Pentecostais e não também os carismáticos  e os Pentecostais. E que frontalmente a recomendação coloca no mesmo nível de extremo erro e abominação os alcunhados neo-puritanos com os neo-pentecostais. Sendo essa uma infeliz e injusta afirmação.
  1. Solicitar da egrégia Assembléia Magna da nossa Igreja, a anulação dessa resolução equivocada da sua Comissão Executiva de 2008.
  2. Considerar salutar que algumas igrejas e pastores, verdadeiramente presbiterianos, continuem praticando o culto simples composto da liturgia expressamente conforme apresenta a nossa Confissão de Fé. E que em caridade cristã, lhes dê a destra de fraternidade.

Salvador, 06 de abril de 2010,

Rev. Josafá Vasconcelos – Presidente do Conselho