A Universidade Mackenzie foi fundada por Missionários Presbiterianos e, portanto,  é uma instituição que pertence à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), de orientação confessional de acordo com os princípios Bíblicos, Protestantes Reformados. Não é uma instituição independente descompromissada com a honra ou obrigada a  anuir com toda e qualquer proposta mundana e desavergonhada. Seus fundadores a estabeleceram sob a égide do Evangelho e da moral cristã com três propósitos bem definidos: a Glória de Deus, o bem dos homens, e o testemunho da Igreja do Senhor nesta terra. Suas convicções eram libertárias e totalmente ausente de preconceitos. A escola visava abrigar filhos de protestantes perseguidos e filhos de escravos; em toda a sua história, jamais alguém foi barrado por sua orientação religiosa, política ou sexual. Mas é  prerrogativa da Instituição associada vitalícia, a IPB, lhe nortear a linha de ensino e de orientação moral.

Onde está o absurdo de seu Chanceler, representante legítimo da IPB, associada vitalícia da Universidade, ao manifestar-se contrário a uma lei, que conquanto seja justa em parte ao proibir a discriminação da pessoa do homossexual, é totalmente injusta em outra parte, ao proibir a manifestação contrária à doutrina da homossexualidade? A Universidade e a Igreja são terminantemente contrários à discriminação de homossexuais e de quem quer que seja, como se pode verificar pelo testemunho de sua própria história centenária, mas não pode concordar com uma lei que proíba, sob pena de prisão, a liberdade de ensinar e orientar seus alunos que a prática da homossexualidade é contrária à natureza,  prejudicial à pessoa humana, à saúde pública, à preservação da espécie humana e à sociedade como um todo, além de atentar contra a vontade revelada de Deus. Fico pensando, qual seria o absurdo da Pontifícia Universidade Católica e seu representante em expor publicamente, no site da Instituição, um manifesto a favor da vida e contra a prática do aborto? Porventura, seria ela execrada? Não seria isso óbvio e perfeitamente compreensivo? Certamente ela recebe em seus quadros professores e alunos que já praticaram o aborto, não discriminam, mas se reservam ao direito de orientar sua instituição, de mesma confissão, que essa prática é pecaminosa e contrária à vontade do Deus que confessam.

A mídia que está apoiando tão calorosamente essa lei, não percebe que ela é um trampolim para se alcançar o cerceamento da liberdade de expressão, e, portanto, ela mesma será vitima e não poderá, caso seja aprovada, se manifestar com liberdade sobre esse assunto de forma contraria, e quem sabe outros grupos não irão reivindicar esse mesmo privilégio? Nosso pais está sob ameaça na liberdade de impressa e expressão.

Como Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, que se orgulha da vocação nobre de nossa Igreja, cumprida da forma mais excelente, pelo nosso prestimoso Instituto Presbiteriano Mackenzie, quero dizer aos homossexuais, lésbicas, adúlteros, viciados, ateus e crentes de todas as religiões do mundo: Todos sois bem vindos, terão livre trânsito sem qualquer constrangimento nos seus campi e salas de aula. Todos serão tratados com dignidade e respeito, jamais serão discriminados ou se tolerará discriminação por parte de qualquer pessoa nessa honrada instituição. Todos poderão usufruir da excelência de seu ensino acadêmico, e os bafejos de amor e misericórdia da parte de Cristo em nome de quem o Mackenzie existe.

Afirmamos nossa solidariedade total e irrestrita ao mui digno Chanceler do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Rev. Augustus Nicodemos. Estamos do seu lado para o que der e vier. Mesmo que seja a prisão, pois na esteira dos fiéis cristãos martirizados, como seus herdeiros, não calaremos a nossa voz.

Rev. Josafá Vasconcelos,
Igreja Presbiteriana da Herança Reformada